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Entenda por que falas Donald Trump influenciam os preços do petróleo

Trump diz que ‘Cuba é a próxima’ em discurso sobre sucessos militares dos EUA


Para pesquisador, a volatilidade de preços em função de Trump é mais potente pela maior facilidade com que informações são absorvidas no cenário atual

(Foto: Elizabeth Frantz/Reuters)

Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm impacto direto sobre o preço internacional do petróleo porque ampliam a percepção de risco global e influenciam expectativas de oferta e demanda — especialmente em um mercado altamente integrado e sensível a tensões geopolíticas, explicam especialistas ouvidos pelo R7. Quando essas falas envolvem o conflito no Oriente Médio, região estratégica para a produção da commodity, o efeito tende a ser imediato e mais intenso.

Foi o que ocorreu nessa quinta-feira (2), quando os preços internacionais do petróleo dispararam após declarações de Trump na noite anterior. A cotação do barril de Brent subiu de US$ 101,16 no primeiro dia do mês para US$ 108,89 no dia seguinte.

Em pronunciamento em rede televisiva, o presidente afirmou que os objetivos militares dos EUA na guerra contra o Irã estão “quase concluídos” e que as ações para impedir uma retaliação do regime iraniano devem terminar em breve.

O economista, sociólogo e professor na UnB (Universidade de Brasília) César Bergo afirma que a imagem tradicional do “presidente moderado e equilibrado” já não traduz o cenário atual, e o presidente americano aparece como o principal exemplo dessa realidade.

“Erra quem pensa que Donald Trump age sozinho. Ele tem uma equipe em torno dele e uma longa experiência em condução comercial, construindo sua fortuna por meio de métodos pouco convencionais. Ele é produto da evolução midiática e também da questão tecnológica”, afirma.

Para o pesquisador, a volatilidade de preços em função de Trump é mais potente pela maior facilidade com que informações são absorvidas no cenário atual.

“O trabalho dos analistas hoje é muito facilitado em função da tecnologia e rapidez com que se consome as informações. Temos inteligência artificial, grandes processadores para tratar informações que vão gerar um efeito manada”, completa. Dessa forma, a imprevisibilidade própria do líder republicano repercute na forma de formas também imprevisíveis nos preços de mercado, opina Bergo.

Principal potência

Apesar de declarações de outros líderes também serem capazes de surtir efeitos sobre o preço de commodities, o impacto de movimentações de Donald Trump é maior por ele estar à frente da nação hegemônica tanto no campo econômico quanto político.

O economista e gestor de riscos Rodrigo Provazzi elenca algumas razões para a influência tão forte da liderança americana no preço de barris. Uma delas é o “petrodólar”, visto que o dólar é a moeda referência do comércio internacional do petróleo desde a consolidação americana, após o fim da II Guerra Mundial.

“Dessa forma, qualquer movimento americano que afete sua moeda, os juros e o fluxo de capitais tem efeito no câmbio e, consequentemente, no preço do petróleo”, explica.

O economista também diz que, atualmente, os Estados Unidos se posicionam como um dos maiores produtores e também maiores consumidores de petróleo no mundo. Assim, qualquer decisão do país tem impacto na oferta e na demanda do produto.

Provazzi acrescenta que os EUA se mantêm na posição de país hegemônico, não somente devido à sua posição geopolítica e capacidade de influência, como também pela elevada capacidade militar.

“Mesmo países que, em teoria, são pouco dependentes de um comércio direto com os EUA acabam reagindo pelo fato de o mercado ser extremamente integrado. Ninguém opera isoladamente. De forma indireta, há conexão com o mercado americano”, detalha.

O economista acrescenta que o mercado não “se dobra” por questões políticas, mas sim pela integração a um sistema econômico que possui os Estados Unidos como ponto de referência.

Provazzi explica que os investidores compram e vendem com base em expectativas, e que o potencial de escalada de conflitos já reconfigura a dinâmica de preços. Quando a ameaça envolve o presidente dos EUA, no entanto, não abre espaço para surgir outra figura com maior poder militar e geopolítico. Dessa forma, a ação é imediatamente precificada.

“Mesmo que não haja nenhuma mudança real no dia, a simples percepção de risco já é suficiente para elevar os preços. Não é a fala em si que encarece o petróleo, mas sim o risco que ela projeta sobre o abastecimento futuro que causa esse efeito.”

Governo brasileiro rebate

Um dia após as falas de Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu a afirmação do líder dos EUA de que a guerra contra o Irã está próxima do fim.

Em entrevista à RECORD Bahia, Lula categorizou o conflito como “irresponsável” e afirmou não saber até quando o embate vai durar. O presidente também reforçou que o governo tomará medidas para conter a escalada de preços.

“Estamos fazendo todo esforço possível para não permitir que a guerra irresponsável do Irã chegue ao bolso do povo que vai comprar seu alface, seu feijão, seu arroz, vai comprar comida para seu filho.”

Em uma entrevista coletiva realizada ao fim de março, representantes do governo federal garantiram que o país possui estoque de combustível suficiente para abril.

O porta-voz do Ministério de Minas e Energia, Renato Dutra, afirmou que “não há risco de desabastecimento de diesel no país” e que medidas estão em andamento para coibir aumento indevido de preços e recusa no fornecimento.

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