Artemis 2: retorno à Terra pode ser a parte mais perigosa da missão

Paraíba


Previsão é de que a cápsula Orion com astronautas que realizaram sobrevoo na Lua caia no oceano perto da costa da Califórnia, nos EUA

Reentrada na atmosfera terrestre terá altas temperaturas devido à velocidade da cápsula Orion (Nasa)

A tripulação da Artemis 2 deve chegar à Terra nesta sexta-feira (10), após alcançar a maior distância já percorrida por humanos no espaço. No entanto, o retorno pode ser a parte mais perigosa da missão.

Isso porque a reentrada na atmosfera terrestre terá altas temperaturas. O fenômeno é causado pela alta velocidade da cápsula Orion, que levou os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen para o sobrevoo lunar.

Para evitar que o calor extremo comprometa a segurança dos astronautas, a Nasa desenvolveu um escudo térmico integrado à estrutura da Orion. O sistema, no entanto, não está imune a erros. Durante a Artemis 1, primeira missão não tripulada do programa, o dispositivo sofreu danos durante a reentrada, o que reduziu sua eficácia.

Qualquer falha nesse sistema pode ser fatal: se o escudo térmico não funcionar corretamente, a estrutura metálica da nave pode derreter, se romper e acabar se desintegrando, sem qualquer chance de sobrevivência para os astronautas.

Por conta disso, a reentrada na atmosfera da Terra da Artemis 2 deve ocorrer em um ângulo mais acentuado. O objetivo é reduzir o tempo de exposição à camada de gases do nosso planeta, diminuindo as chances de danos à cápsula.

A Nasa está confiante de que os astronautas ficarão confortáveis durante o percurso. “Uma análise e testes extensivos do material do escudo térmico nos deixaram tranquilos de que podemos realizar esta missão com bastante margem de segurança”, disse Jared Isaacman, administrador do órgão, em entrevista à imprensa americana em janeiro.

Onde a cápsula Orion vai pousar?

A cápsula Orion aproveitou a interação gravitacional entre a Terra e a Lua para iniciar o retorno. A última das três manobras de correção de trajetória para pousar a cápsula será feita nesta sexta-feira.

Na fase final, a unidade de serviço, responsável pela propulsão e navegação, se separa do módulo de tripulação, onde estão os astronautas, deixando o escudo térmico exposto.

Depois de enfrentar o calor intenso da reentrada, o veículo segue em queda em alta velocidade. Nesse momento, paraquedas são acionados em etapas, reduzindo gradualmente a velocidade e suavizando o impacto.

A expectativa é que a cápsula caia no oceano, próximo à costa de San Diego, na Califórnia, às 21h07 (horário de Brasília). Após o pouso, os tripulantes serão resgatados por helicópteros da Marinha dos Estados Unidos, com equipes especializadas nesse tipo de operação.

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