41% dos brasileiros dizem viver na presença de facções criminosas

Policial

Maior número de vítimas está nos municípios de 200 mil a 500 mil habitantes (11%), seguido dos de mais de 500 mil

No Brasil, 41,2% dos brasileiros reconhecem a presença em seu bairro de facções ou milícias. Os dados, divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, nesta segunda-feira (11), mostram, ainda, a exposição à violência armada para a população de médios e pequenos municípios.

O maior número de vítimas está nos municípios de 200 mil a 500 mil habitantes (11%), seguido dos de mais de 500 mil (10,4%), mas com percentual muito similar nas cidades de até 50 mil (10%) habitantes; o menor percentual aparece nos municípios de 50 mil a 200 mil (7,4%).

Segundo a definição das Nações Unidas, grupos criminosos organizados são formados por três ou mais pessoas que atuam de maneira estruturada durante determinado período com o objetivo de cometer ao menos um crime grave.

“Esse resultado reforça a ideia de que a circulação da violência armada não obedece a uma hierarquia simples de porte urbano: ela é forte nas grandes cidades, mas também alcança com intensidade cidades médias-grandes e, em certa medida, municípios pequenos. Este dado é especialmente importante quando cotejado com a presença de facção ou milícia no território, já que a última década marca um processo de difusão de grupos criminosos armados por cidades de pequeno e médio porte em todo o país, aproximando do cotidiano dos moradores de pequenas cidades um tipo de violência que originalmente era característica de grandes metrópoles”, diz o estudo.

O fator crime organizado no bairro de residência não apenas amplia a vitimização, mas interfere nas regras de convivência, altera sociabilidades e restringe a confiança nas instituições.

Nas capitais, por exemplo, 55,9% afirmam que há crime organizado atuando no bairro; nos outros municípios da região metropolitana, esse percentual é de 46%; no interior, cai para 34,1%.

O estudo teve abrangência nacional, incluindo regiões metropolitanas e cidades do interior de diferentes portes, em todas as regiões do Brasil, em 137 municípios. Foram entrevistadas 2.004 pessoas de 16 anos ou mais. A margem de erro para o total da amostra é de 2 pontos para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.

A pesquisa, que abrange o contexto das eleições de 2026, ressalta que a redução da violência letal e proteção da vida deve voltar a ser o centro do debate público.

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