A disputa por uma vaga no Senado Federal dentro do campo oposicionista da Paraíba começa a expor fissuras entre aliados. Nesta quarta-feira (3), o deputado estadual André Gadelha (MDB) admitiu publicamente que enfrenta dificuldades para consolidar apoios à sua pré-candidatura e revelou que pretende intensificar o diálogo com lideranças que já manifestaram preferência por outros concorrentes, especialmente pelo ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley.
Durante entrevista à Rádio Correio 98 FM, André reconheceu a existência de divergências dentro do próprio grupo político, mas afirmou que seguirá trabalhando para construir uma candidatura unificada.
Segundo o parlamentar, a falta de sintonia entre integrantes do mesmo bloco pode transmitir uma imagem de desorganização ao eleitorado. Para ele, a população tem dificuldade de compreender por que lideranças que compartilham o mesmo projeto político acabam apoiando candidatos diferentes para uma das vagas ao Senado.
A declaração ocorre em meio ao avanço de apoios a Nabor Wanderley dentro de setores da oposição. Nos últimos dias, deputados estaduais que integram o MDB, como Tovar Correia Lima e Fábio Ramalho, anunciaram posicionamentos favoráveis ao ex-prefeito patoense, movimento que aumentou a pressão sobre a pré-candidatura de André Gadelha.
Apesar do cenário, o deputado reafirmou que não pretende desistir da disputa e destacou que buscará convencer aliados por meio do diálogo, sem impor posicionamentos políticos.
Além das articulações internas, André também elevou o tom contra adversários e levantou suspeitas sobre o uso da estrutura política durante a pré-campanha. O parlamentar pediu atenção dos órgãos de fiscalização e da Justiça Eleitoral para o que classificou como uma campanha de grande poder econômico e pressão sobre lideranças políticas no interior do estado.
A movimentação é acompanhada de perto pelo senador do MDB, Veneziano Vital do Rêgo, que disputará a reeleição. Nos bastidores, a preocupação é que a falta de consenso em torno da segunda vaga ao Senado possa enfraquecer o projeto político da oposição e dificultar a formação de uma chapa competitiva para as eleições de 2026.
Com o calendário eleitoral se aproximando, a corrida pelo apoio de prefeitos, vereadores e lideranças regionais promete intensificar a disputa dentro do próprio campo oposicionista, transformando a vaga ao Senado em um dos principais focos de tensão da política paraibana.