Intimidações e ataques hackers: saiba quem eram os integrantes da ‘turma’ de Vorcaro

Paraíba


Grupos, chamados de ‘A Turma’ e ‘Os Meninos’, funcionavam como parte operacional e eram gerenciados por Felipe Mourão

Investigações da Polícia Federal identificaram a atuação de dois núcleos criminosos no esquema de fraude ligado ao caso do Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os grupos, chamados de “A Turma” e “Os Meninos”, funcionavam como parte operacional e eram gerenciados por Felipe Mourão, conhecido como Sicário, que morreu em março após tentar contra a vida.

“A Turma”, formada principalmente por policiais federais, era voltada à prática de ameaças, intimidações presenciais, coerções, levantamentos clandestinos, obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais.

Já “Os Meninos” eram voltados para a parte tecnológica e estavam orientados à prática de ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento telefônico e telemático ilegal.

As informações foram divulgadas na decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, que autorizou uma nova fase da operação Compliance, voltada parainvestigar a organização criminosa suspeita de praticar condutas de intimidação, de coerção, de obtenção de informações sigilosas e de invasões a dispositivos informáticos.

“A Turma”:

  • Marilson Roseno da Silva: policial aposentado foi apontado como a liderança operacional de “A Turma”, era o principal elo entre o comando central e os executores, coordenando monitoramentos e intimidações. Mesmo após ser preso, ele teria continuado a receber informações sigilosas sobre a investigação.
  • Anderson Wander da Silva Lima: policial federal da ativa que atuava como o “longa manus” de Marilson dentro da Polícia Federal. Realizava consultas e pesquisas constantes nos bancos de dados oficiais para informar o grupo sobre os desafetos de Daniel Vorcaro.
  • Valéria Vieira Pereira da Silva: a delegada da investigada por acessar, sem justificativa funcional, inquéritos sigilosos em São Paulo para repassar informações estratégicas à organização.
  • Francisco José Pereira da Silva: marido de Valéria e policial aposentado que atuava no repasse de informações sigilosas entre o acesso institucional da delegada e Marilson Roseno, reduzindo a exposição direta da esposa e permitindo a circulação dos dados até integrantes do grupo investigado.
  • Sebastião Monteiro Júnior : também agente aposentado, era responsável pelo uso de terminal telefônico internacional, adoção de mensagens temporárias e realização de encontros pessoais reservados com o líder do núcleo.

“Os Meninos”:

  • David Henrique Alves: apontado como integrante do núcleo hacker, era responsável por ataques cibernéticos, monitoramentos ilícitos, ataques digitais, invasões e derrubada de perfis.
  • Victor Lima Sedlmaier: atuava como operador auxiliar qualificado do núcleo, prestava serviços técnicos, além de ser apontado como agente de apoio logístico e a possível ocultação. Segundo as investigações, ele é sócio minoritário de empresas do ramo farmacêutico, em circunstância que, segundo a representação, pode indicar a utilização de pessoas jurídicas para recebimento indireto dos pagamentos vinculados aos serviços prestados à organização.
  • Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos: auxiliava na estrutura de suporte técnico e operacional do grupo, como aquisição de domínios na internet e suporte operacional às ações telemáticas. O investigado, segundo a PF, era “alguém que não liderava o grupo, mas contribuía ativamente para a sua operacionalidade e para a execução concreta de tarefas dentro da cadeia de comando estabelecida”.

Operação Compliance

A PF (Polícia Federal) cumpriu um mandado de prisão preventiva, na manhã desta quinta-feira (14), contra o pai do banqueiro Daniel Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro. A reportagem apurou que o empresário foi preso em Nova Lima (MG).

Henrique é tio de Felipe Cançado Vorcaro, preso temporariamente pela Polícia Federal na semana passada, suspeito de repassar mesadas de até R$ 500 mil ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), a pedido de Daniel Vorcaro.

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